EXT. RUAS DE CÁRDEA. DIA Citadinos de Hoelum instalam pirate-boxes nas imediações de Cárdea. Daio e Maia, uma amiga da mesma geração dele, usam a van de Hase, dirigida por outro rapaz também da idade deles. Eles camuflam as caixas mais recentes para copiarem peças da infraestrutura urbana da cidade. Estão vestidos como se fossem trabalhadores da empresa local de energia, crachás e tudo; a van também está adesivada com a logo da empresa. X e Kei acompanham a ação escondidos dentro
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Nas primeiras conversas que tivemos quando começamos a criar o universo de Hoelum, um tema recorrente foi o desejo que esse mundo fosse definido não por situações de excessão e pelo extraordinário, mas por eventos cotidianos e tangíveis que possuem uma potência de outra natureza. Um mundo de contrastes que não se manifesta nem como uma utopia, nem como uma distopia puras. Um mundo em que o conflito existe, mas não é a tônica das narrativas. Essa exploração da potência do
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INT. CABANA DE IAN. DIA O interior do pequeno casebre, está repleto de diversos objetos espalhados por quase todas as superfícies presentes. São peças mecânicas, livros, garrafas de bebida, peças de roupa, ferramentas, câmeras fotográficas, sacas de café etc. IAN, 27 anos, está deitado em uma rede de dormir, traja apenas uma puída cueca e está completamente absorto em um sono profundo. Uma ampla janela, na parede atrás, revela o belo vale que se dá além da mesma. Um computador -
Para auxiliar os processos de escrita e elaboração da série, constantemente buscamos modos de organizar e representar informações críticas para o universo de Hoelum e, por extensão, Daqui ao horizonte, série cujos acontecimentos se desenrolam entre os anos de 2187 e 2209. Um dos recursos de construção de mundo que utilizamos com frequência para compilar informações complexas, denotando relações entre diferentes elementos da série, são os diagramas. A imagem acima apresenta uma
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INT/EXT. CASA DO KEI. FIM DE TARDE Correndo, X passa direto pela vending machine hackeada pelo Hasegawa para servir como memorial de Hoelum. Pensando bem, ela pára um segundo uns metros à frente, dá uma olhada de soslaio, volta alguns passos e pega um drink dando um tranco na máquina com todo o lado do corpo. Um movimento bem preciso e deliberado, novamente ela ajusta com cuidado o ângulo do corpo. Desta vez cai exatamente o drink que ela quer. Ela está começando a entender o tipo de -
Iúna Estudo de personagem de Pedro Veneroso Iúna Descendente do povo Krenak que habita a região do Rio Doce, Iuná nasceu em microgravidade no caminho de volta da colônia indígena em Europa, lua de Júpiter, até a Terra. Cresceu para se tornar uma jovem embaixadora dos povos originários em Cárdea, nova capital Mineira. Determinada, intransigente, diplomática e particularmente avessa às regras arbitrárias das sociedades centralizadas, cometeu transgressões em prol da defesa do
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INT. ELEVADOR - CÁRDEA. NOITE Hasegawa aperta o 52, número do seu andar no elevador de seu prédio residencial. Quando a porta está prestes a se fechar, as mãos de IÚNA a abrem uma vez mais. Ela é uma jovem de cerca de 28 anos, traços indígenas, e traja roupas casuais elegantes. Leva às costas, um grande case de um instrumento musical e uma mochila, repleta de chaveiros e broches diversos. Ao notar o vizinho ali, ela lhe abre um sorriso cordial. IÚNA Opa.. boa noite. -
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EXT. CIDADE VELHA/CENTRO - MAIS À FRENTE. INSTANTES DEPOIS Iúna traja o mesmo terno de antes mas com uma máscara de gás sobre o rosto. Ela caminha pela antiga avenida Salinas deserta, destemidamente. Ademir está em um prédio, a observando à distância, sem ser notado. Iúna caminha até uma bonita pitangueira, carregada de frutos, que nasce bem ao centro da avenida. A jovem tira do bolso um pequeno cilindro de cerâmica e o gira, puxando o mesmo para baixo. O interior do cilindro é de -
Uma pequena cena solta - cotidiana e infraordinária - sobre cheesecake (X e Kei) em cinco movimentos. Olhos de X entre as folhas, como um predador. Kei distraído, sentado em primeiro plano com a cabeça apoiada nos joelhos e os braços segurando as pernas. Ele assopra a franja. X afasta as folhas de monstera com as mãos. Kei percebe a movimentação mas não se vira. A menina avança sobre Kei, o abraçando pelas costas e se jogando no menino com um riso aberto. Os dois caem no chão, X
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Talvez a provocação e a desconstrução de paradigmas históricos sejam duas das marcas mais notórias do século XX. Da antiarte aos movimentos estudantis, da recusa do reducionismo científico aos movimentos contraculturais, da inter e da transdisciplinaridade ao decolonialismo, década após década viu-se um movimento crescente de heterogênese do conhecimento e ampliação das possibilidades de produção e experiência humanas. Na virada do século, a proliferação da comunicação de





