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Cena: Iúna come uma pitanga na Cidade Velha
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- Thiago Taves Sobreiro
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EXT. CIDADE VELHA/CENTRO - MAIS À FRENTE. INSTANTES DEPOIS
Iúna traja o mesmo terno de antes mas com uma máscara de gás sobre o rosto. Ela caminha pela antiga avenida Salinas deserta, destemidamente. Ademir está em um prédio, a observando à distância, sem ser notado. Iúna caminha até uma bonita pitangueira, carregada de frutos, que nasce bem ao centro da avenida.
A jovem tira do bolso um pequeno cilindro de cerâmica e o gira, puxando o mesmo para baixo. O interior do cilindro é de uma textura esponjosa e maleável.
Iúna eleva o cilindro para expor o interior maleável ao ar próximo a pitangueira, gira o pulso e o material se contorce com seu movimento, mudando de cor de barro para um verde-azulado.
Iúna retira a máscara de gás de seu rosto e abre um sorriso.
Ademir observa aquilo com certa preocupação ameaça uma intervenção, mas se contém.
A jovem pega uma pitanga de um dos ramos e a leva até o nariz, para cheirar o fruto. Abre um largo sorriso e então de uma vez, coloca o fruto inteiro na boca e o mastiga com uma cara de satisfação.
Ademir solta um suspiro de surpresa, olhos arregalados.
Iúna tira do bolso seu comunicador e logo projeta uma conferência holográfica com o mesmo, a imagem de três pessoas em locais diferentes surge sobre seu comunicador, pairando no ar, sendo projetadas sobre a tela.
São membros do CONSELHO DOS POVOS ORIGINÁRIOS DO CERRADO.
IÚNA
Bom dia gente, tudo bem? Como podem ver, tô aqui na cidade velha. Minhas análises confirmam o que já imaginávamos, não tem mais contaminação nenhuma, pelo menos no ar, nem nos frutos.
Ademir se esgueira mais, se aproximando um pouco para ouvir o que a outra fala ao comunicador. Um senhor indígena mais velho, se inclina no holograma.
MEMBRO DO CONSELHO 1
Isso é muito grave, significa que estão mantendo a zona de exclusão fechada sem necessidade. Isso explica porque não tem nos deixado entrar aí.
Uma mulher indígena, cerca de 30 anos de idade também fala.
MEMBRO DO CONSELHO 2
E estão mentindo sobre as razões. Precisamos descobrir o que estão escondendo.
IÚNA
Vou continuar com as minhas investigações. Tem um grupo de ambientalistas que talvez saiba mais sobre o que tá acontecendo. Não acho que eu vá conseguir informações pelos meios oficiais.
Uma senhora indígena de cerca de 70 anos se pronuncia.
MEMBRO DO CONSELHO 3
Melhor tomar cuidado, não queremos abalar as relações da cidade com o nosso povo.
IÚNA
Pode deixar, vou agir com cautela.
MEMBRO DO CONSELHO 3
Ha, você cautelosa? Por que eu duvido disso?
Iúna sorri.
IÚNA
Vou tentar, juro.
Iúna faz uma mesura ao comunicador e logo o holograma desaparece. Ela guarda o aparelho no bolso do casaco e pega mais uma pitanga do pé.
Ela come, se deliciando com o fruto.
Ademir segue lhe observando, chocado.