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Cena de instalação de pirate-boxes nas imediações de Cárdea
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EXT. RUAS DE CÁRDEA. DIA
Citadinos de Hoelum instalam pirate-boxes nas imediações de Cárdea. Daio e Maia, uma amiga da mesma geração dele, usam a van de Hase, dirigida por outro rapaz também da idade deles. Eles camuflam as caixas mais recentes para copiarem peças da infraestrutura urbana da cidade. Estão vestidos como se fossem trabalhadores da empresa local de energia, crachás e tudo; a van também está adesivada com a logo da empresa. X e Kei acompanham a ação escondidos dentro da van.
A van pára na frente de um poste. Daio e Maia abrem a porta rapidamente e tiram uma escada do teto da van com maestria e agilidade. Daio expande a escada apoiada no poste enquanto a moça sobe os degraus até o topo e instala a caixa clandestina próxima do transformador. Tudo acontece muito rápido. Eles são especialistas no assunto. Daio fica no solo segurando a escada e olhando para os lados, monitorando a movimentação na rua.
Segundos depois, Daio produz três assovios curtos, como um bem-te-vi. Uma viatura policial acabara de virar a esquina de cima e agora desce a rua lentamente, observando a movimentação dos “trabalhadores”. Quando a polícia passa ao lado da van, X e Kei se abaixam e se escondem na traseira. A viatura avança devagar e cumprimenta os trabalhadores, que respondem com acenos:
– Dia… diz um policial.
– Dia! Respondem Daio e Maia, em uníssono.
Eles ficam aliviados assim que os policiais vão embora, agilizam o processo e recolhem a escada.
Adrenalina. Dentro da van, os corações de X e Kei estão acelerados. Ouve-se seus batimentos cardíacos enquanto Daio e a amiga entram de volta no veículo. Eles se sentam nos bancos enquanto abrem o zíper dos seus macacões suados do trabalho árduo ao longo da tarde.
– Ufa… Essa foi a última. Relata a moça, relaxando enquanto se estira no banco.
– Essas instalações em Cárdea são sempre as mais tensas… a polícia daqui é obstinada em vigiar e punir… não dá pra vacilar… Observa Daio.
– A cidade é um panóptico… olhos e câmeras hostis para todos os lados… Complementa a moça.
A van sai rapidamente dali na direção contrária à dos policiais.
Os dois adultos hoelumnianos eventualmente notam a tensão dos mais jovens, que seguem acanhados na traseira do veículo, e fazem graça com a inexperiência dos adolescentes:
– Isso aí não é nada. Cês logo se acostumam. Diz Daio se virando de costas e apoiando o braço no encosto do banco para encarar os amigos mais jovens.
A moça relata uma tensa experiência recente: – Da última vez a gente não tava disfarçado… quando os gambé chegaram esse palhaço aqui fugiu cantando pneu e a gente teve que sair correndo pra se misturar com a multidão no submercado! Ela dá um peteleco na nuca do motorista que solta uma exclamação de dor.
– Ai! … Não era esse o protocolo? Ele tenta se defender da acusação injusta.
– Tsc… O protocolo das moiras, né… achei que a gente era parceiro… diz Daio, brincando com o amigo que leva os comentários mais a sério que o esperado.
O grupo ri e a tensão se dissipa.

Foto de Pedro Veneroso