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Cena em que X e Kei descobrem um drone camuflado de Cárdea espreitando na floresta de Hoelum
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Ilustração de Eduardo Damasceno
EXT. FLORESTA – HOELUM. DIA
X e Kei brincam na floresta em meio a uma vegetação densa. Eles correm, se escondem no meio de arbustos, sobem árvores. Pulando pedras próximo de uma cachoeira, o comunicador de X cai do seu bolso sem que eles percebam.
X pega a mão de Kei sem hesitação e o puxa em direção a uma grande pedra, que ela escala em seguida. Com o olhar encorajador de X, o menino a segue. Sentados lado a lado, os dois observam a vista da mata. X, com as costas agora viradas para Kei, pousa a cabeça no ombro do menino, observando o céu através das copas das árvores. O menino tira do bolso uma pedra perfeitamente esférica e polida.
KEI
Olha o que eu achei, X.
X se vira na direção do menino. Eles sentam com as pernas cruzadas um de frente para o outro. Ele mostra o tesouro para a menina, que o examina com curiosidade.
X
Onde? Parece até que foi fabricada…
KEI
Mais cedo, pra cima da cachoeira.
X
De onde cê acha que ela veio?
KEI
Não sei? Rolando desde o início do rio por vários séculos? Milênios?
X
Ou então de um planeta alienígena!
O menino alcança a mão de X e vira a palma para cima, onde ele pousa o objeto.
X
Será que a gente consegue identificar na enciclopédia?
Kei tira seu comunicador do bolso e analisa a tela.
KEI
Uai, está sem sinal.
X
Que estranho…
X enfia a mão no bolso, buscando seu próprio comunicador.
X
(levantando e olhando ao redor)
Kei… Cadê meu comunicador?
Eles procuram pelo aparelho nos lugares que visitaram, retraçando seus passos. Revolvem as plantas, reviram pedras, espiam as frestas nas árvores mas não o encontram. Após algumas horas, Kei interrompe a busca, suspirando cansado.
KEI
Vamo embora, a gente não vai conseguir encontrar ele no meio desse mato.
X segue afastando as plantas com as mãos na esperança de localizar o aparelho.
X
Não, Kei! A gente tem que encontrar.
KEI
Cê nem sabe onde ele caiu…
X
Mas todos os nossos haikais estão nele…
KEI
(incrédulo)
Como assim?! Cê não fez nenhum backup?
X olha para Kei meio envergonhada.
KEI
Claro que não, né… olha com quem eu tô falando…
X
Ai, Kei… Me deixa… Cê também não fez backup…
KEI
(perplexo)
Do seu comunicador?
Kei volta a ajudar a amiga na sua tentativa infrutífera.
Com o sol já próximo do horizonte, eles se aproximam da cachoeira e X, já cética, está pronta para interromper a busca.
No silêncio da floresta, na direção do rio, eles ouvem um ruído estranho. X e Kei se entreolham.
KEI
Cê ouviu esse barulho?
X
É só a cachoeira.
KEI
Não é, não. Veio lá de cima.
Os dois saem em disparada atrás da fonte de som, deixando o comunicador para trás. Ao ouvir um novo ruído, Kei estende o braço na frente de X e os dois começam a andar bem devagar, tentando se manter escondidos em meio à folhagem.
Da margem do rio eles observam o entorno tentando identificar a fonte do som que parece se originar sobre a água.
KEI
(apertando os olhos e sussurrando)
Não tô vendo nada.
X está com o olhar focado em um ponto logo acima das águas, onde parece haver uma turbulência quase imperceptível. Ela pega uma pedra e a lança com força em direção ao vazio, sobre o rio. Para espanto dos dois, um alto baque metálico é ouvido. Ela acertou algo que estava invisível. Um drone perde suas habilidades de camuflagem e voo e cai no rio, borrifando água para todos os lados.
Seguindo a correnteza, X corre para o meio do rio e, com a água na altura da cintura, recupera o drone. Os meninos carregam o aparato juntos no caminho de volta para Hoelum.