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Nem Solar nem Cyber: uma breve introdução ao SoBerPunk
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- Thiago Taves Sobreiro
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"Utopias atingíveis e distopias solucionáveis"; essa frase é um fio guia desde o início dos trabalhos na construção de mundo da série. Ela nos levou a buscar frestas entre os sub-gêneros estabelecidos e ampliá-las em uma fissura onde almejamos estabelecer uma forma distinta de absorver seus elementos e por vezes os ressignificar.
Assim como em nosso mundo, a nova capital mineira de Cárdea se dá em uma cava de mineração abandonada, nossa abordagem busca utilizar-se de estruturas dos movimentos pregressos para criarmos um mundo que simultaneamente dialogue e se distinga de ambos. Nosso céu de estática tem explicações e implicações tangíveis no modo de vida e na rotina de nossos personagens e nosso uso de engenharia ambiental além de solucionar problemas complexos, tem de lidar com as minúcias e dificuldades cotidianas em sua implementação.
Nem completamente "high-tech, low-life" e nem totalmente "move quietly and plant things", Daqui ao Horizonte tenta se calcar, sempre que possível, no mundo concreto que nos cerca. Especulamos evoluções tecnológicas plausíveis e aplicações já teorizadas para as mesmas dentro de um universo tonalmente sóbrio, onde os ocasionais desvios fabulares soam como críveis dentro do respaldo sólido dos limites da realidade estabelecida.
Nosso punk não se move lentamente nem tão pouco escorrega parede abaixo por uma pirâmide hierárquica opressora. Os punks sóbrios caminham em passo médio rumo a objetivos diversos e fazem uso de tecnologias que sejam tanto avançadas quanto rudimentares enquanto trilham seus caminhos.
Não sonhamos nem em verde nem em cinza, mas sim em tons terrosos, terra sólida, que usamos para aterrar novas propostas de organização social em solo firme. Propostas estas que não fogem dos possíveis percalços que a realidade e os sistemas vigentes lhe impõem, mas que não se rendam totalmente aos mesmos quando os enfrentam.
O SoBer Punk busca um meio termo radical, um lugar entre o Solar e o CyberPunk. A proposta de um novo mundo ficcional igualmente harmônico e dissonante, que desperte em quem o absorve a certeza de que mudanças são sim bem complexas mas perfeitamente alcançáveis.