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Quem somos: Pedro Veneroso
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Pedro Veneroso, Belo Horizonte (1987)

Sou roteirista de Daqui ao Horizonte e idealizador do universo de Hoelum com Thiago Taves Sobreiro, mundo que começamos a criar aproximadamente seis anos atrás.
Vivo entre Casa Branca, em Brumadinho, e Belo Horizonte. Das janelas avisto a Serra Ouro Fino, enquanto o quintal se expande em direção ao Rola-Moça, parque que tem importância central no universo de Hoelum. Entre trilhas, caminhadas e expedições - como aquelas realizadas pelos personagens X e Kei nas imediações da comunidade descentralizada ficcional localizada no Gandarela -, sigo explorando esta região onde coexistem os biomas da mata atlântica, do cerrado e dos campos rupestres. Tenho me embrenhado nas florestas que se expandem do lado da cidade, ao mesmo tempo suspensas geográfica e temporalmente do frenesi urbano.
Enquanto artista e pesquisador (e ocasionalmente professor, gestor cultural, et cetera), investigo as interseções entre arte, ciência e tecnologia em obras (artísticas, teóricas, ensaísticas) e projetos que atravessam mídias, disciplinas e linguagens. Penso nessa atuação diversa como uma prática polimática de trânsito livre entre disciplinas, assuntos, técnicas. Dos processos de significação e dos sistemas de códigos às interações entre a natureza e a técnica, penso a arte de modo flexível e dinâmico. Um filme pode ser um ensaio filosófico e um texto acadêmico uma obra de literatura. Não como se fosse um ou outro, mas simplesmente sendo. No mais, no passar dos dias, imerso na contemplação de eventos infraordinários, um calendário é geralmente pouco útil e meu relógio analógico de parede anda literalmente para trás (é que inverti a polaridade do ímã).
Iniciei minha carreira por volta de 2006 (um pouco antes, se eu for considerar cartuns, salões de humor e as primeiras experiências profissionais prototípicas com design e fotografia) e desde então realizei trabalhos muito diversos. Dentre os autorais, são inúmeros vídeos e vídeo-artes, instalações computacionais, obras de net art e um longa-metragem. Fotografias e desenhos, objetos, contos e roteiros, além dos profusos projetos engavetados e empoeirados. Aprecio particularmente as exposições que realizei no FILE 2019 e no Futuros Arte e Tecnologia, onde exibi a obra Tempo: cor, a exibição de uma seleção de fotomanipulações da obra Shooting film the digital way no MAM Rio e todas as exibições de Gogoame, entre as quais as que ocorreram no El Museo Cultural Santa Fé e no Centro Cultural Galileo. A individual retrospectiva Recodificações, que realizei no Centro Cultural UFMG em 2019 com uma seleção das minhas obras de arte e tecnologia, também figura entre os momentos afetivos marcantes.
Em 2016 lançei meu primeiro longa-metragem, U: réquiem para uma cidade em ruínas, uma obra cujas primeiras imagens foram filmadas em 2009. Terminei o filme no mesmo ano em que defendi meu mestrado, de modo que penso no filme como um ensaio paralelo à minha dissertação: como um texto, só que em outra mídia. Fazendo filosofia em vídeo, como fizeram Debord, Godard e tantos outros.
Falando em academia, me formei em Artes Visuais, sou mestre em Estudos Literários e doutor em Artes, todos pela UFMG. Defendi minha tese em 2023, um texto onde abordo uma filosofia possível para a arte entendida como um modo de conhecimento relacionado aos modos científico e filosófico. Desde 2024 realizo estágio pós-doutoral na UEMG com uma pesquisa que dá continuidade às minhas investigações sobre as instâncias concretas e virtuais da realidade.
Nos últimos tempos (anos), tenho acordado e dormido pensando em X, Kei, Hasegawa, Iúna, Ian… nos personagens, locações, cenas, histórias de Hoelum. De vez em quando subo a trilha da cachoeira e me ocorre uma cena em que a X zomba da hesitação do Kei que avança pela mata com passos tímidos. De vez em quando quase parece que pode não haver distinção entre universos reais e ficcionais, mas isso é assunto para outro dia.