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Cárdea: a nova capital mineira

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Hasegawa se esquiva dos drones das forças policiais de Cárdea

Hasegawa se esquiva dos drones das forças policiais de Cárdea durante ação subversiva dos cidadãos de Hoelum na capital
Ilustração de Eduardo Damasceno

Cidade planejada cuja construção se iniciou na década de 2130, Cárdea foi um empreendimento do Estado concebido para operar como a nova capital de Minas Gerais. As crescentes crises ambientais e climáticas que assolavam Belo Horizonte desde o final do século XX e que se agravaram no século XXII fomentaram a percepção, entre cientistas, políticos, acadêmicos e o público, de que a cidade estava em vias de se tornar inabitável. Os projetos de contenção dos rios canalizados e mitigação de enchentes, de adequação da malha urbana às novas demandas de tráfego e de suavização das ilhas de calor que proliferavam na antiga capital tornaram-se inviáveis de pontos de vista econômicos e estruturais, forçando o governo a buscar uma solução drástica para os problemas da antiga capital.

Construída na cava de um imenso complexo minerário desativado na região entre Brumadinho, Nova Lima e Itabirito, Cárdea foi a resposta encontrada pelo governo para essa situação. Os movimentos de solo e construção de sua infraestrutura básica tomaram toda a década de 2130 e seguiram nos primeiros anos de ocupação da cidade, logo após o êxodo em massa decorrente do deslizamento da Serra do Curral em 2142.

A malha urbana de primeiro nível lembra uma estrela com seis braços que conectam os distritos da cidade e a área metropolitana mais ampla. São estradas muito largas com diversas camadas verticais que segregam o tráfego pesado e leve, bem como os veículos terrestres e voadores. Dentro de zonas urbanas, veículos voadores só têm liberdade de voo acima de 20 metros do solo na malha aeroviária de primeiro nível, exceto aqueles com permissões específicas. Duas exceções relevantes são os drones de construção civil e de transporte de mercadorias; enquanto os primeiros recebem alvarás para uso de rotas específicas e acesso irrestrito às suas respectivas zonas de obras, os segundos podem transitar por zonas de segundo e terceiro nível.

As zonas de segundo nível são avenidas que organizam o trânsito entre distritos. Há distritos culturais, econômicos, produtivos, industriais, administrativos, esportivos, residenciais, entre outros, alguns deles recentes e outros já decadentes, visto que os centros da cidade migraram de região desde a fundação da capital centenária. Distritos decadentes tendem a operar de modo mais anárquico, enquanto o governo concentra seus esforços na manutenção dos distritos ativos da cidade. As zonas de trânsito de segundo nível são a principal ligação de trânsito interna de Cárdea e permitem trânsito em três camadas: veículos de solo e veículos voadores que flutuam no máximo 10 metros acima do nível do solo. Há, nesse nível, um sistema ferroviário que alterna entre subsolo, solo e sobre o solo, a depender da zona da cidade, inclusive um bonde turístico que circunda a cava.

No terceiro nível se situam as ruas de acesso local que recebem tráfego eventual. São ruas estreitas e provincianas, com infraestrutura simples, que muitas vezes sequer permitem o acesso de carros. Transeuntes podem ser vistos caminhando nas bordas das ruas que não têm separação das calçadas, exceto por uma linha de tinta branca nas beiradas, e algumas vezes no meio das ruas. Bicicletas elétricas, mecânicas e flutuantes são comuns nesse ambiente.

A cidade se situa em uma enorme cava de um complexo minerário desativado, sendo que seu centro está localizado dentro da cava, enquanto parte dos distritos mais recentes ocupam uma região fora da cava, com vista para o centro. Nas paredes da cava vê-se a ocupação por complexos residenciais e infraestrutura, como plantas de geração de energia solar posicionadas no lado da cava que recebe maior incidência da luz solar e parques.

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